Vc pode substituir seu preconceito por inteligência, por exemplo.

Foto divulgação: Da esquerda para direita: Cléo Pires, Renato Leite atleta do vôlei sentado, Paulo Vilhena e Bruna Alexandre atleta do tênis de mesa. 

Polêmica e controversa. Foram esses os adjetivos usados pela média da mídia para se referir a campanha da África para a Vogue Brasil em prol das Paraolimpíadas. Como a campanha, tais palavrinhas estão para lá de equivocadas porque o termo correto, caros colegas jornalistas, é PRECONCEITUOSA mesmo.

Em geral, quando o profissional de comunicação age sem refletir sobre sua função social, seu trabalho emana machismo, homofobia, xenofobia, racismo, capacitismo e todo tipo de preconceito.

Mas a campanha foi tão horrorosa que, aqui com meus botões, penso: “como foi possível que essa ideia tenha passado por tanta gente e ninguém percebeu isso?”

Obviamente, quem trabalha numa redação ou agência está, como parte da sociedade, contaminada por preconceitos como, por exemplo, a ideia de que pessoas com corpos e mentes diferentes são anormais, incompletas, incapazes, x. No entanto, para aqueles que desejam trabalhar com comunicação, sugiro que vá além dessa mediocridade umbilical, pois é preciso inteligência e reflexão sobre a diversidade e as controvérsias da vida social. Só assim é possível comunicar com qualidade.

Outra dica é: respeite seu interlocutor, pois, diferentemente do que pregam os arrogantes, o público é inteligente e não engole mais calado as fórmulas dissimuladas, irreais, fora do contexto ainda praticadas no jornalismo, publicidade e propaganda. Com o digital, as pessoas têm jogado essa desfaçatez no ventilador das redes.

Vogue, África, Cléo Pires e a comunicação do Comitê Paraolímpico Brasileiro podem até jurar boas intenções aos quatro ventos, mas não adianta porque a campanha foi péssima. Nestas horas, convém autocrítica, um pedido de desculpa ou o silêncio mesmo, porque qualquer coisa é melhor do que o vídeo da Cléo dizendo “Nós, como embaixadores, emprestamos a nossa imagem justamente para gerar visibilidade e é isso que a gente tá fazendo. Meu Deus!”

Moça e todxs, para se dar visibilidade ao outro, é preciso ouvir o outro, dar voz ao outro, mostrar o outro e não photoshopar um outro fingindo ser o outro.

O pessoal da Channel 4, por exemplo, queria dar visibilidade para os atletas britânicos e fez essa campanha aí. Dá uma olhada.

PS: Parem com essa hashtag hipócrita disfarçada de empatia e alteridade #SomosTodosAlgumaCoisa. Ô coisa irritante. Já deu.

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Controvérsias olímpicas

Vai ter:

Clichês padrão plim plim que ninguém aguenta mais, mas vai ter arte, cultura, criatividade e beleza.

Performance toda errada da Anitta, mas vai ter Paulinho, Karol Conká, MC Sofia, Caetano, Gil e Elza cantando Ossanha pro traidor.

Milico hasteando bandeira, mas vai ter Lea T, Fabíola Fontenelle e Maria Eduarda Menezes puxando o bonde do rolê.

Comentarista padrão Machista-Waack de monte, mas vai ter Giseles, Sarahs e Martas lacrando a cara deles.

Atleta errando pacas e voltando pra casa sem nada, mas vai ter atleta maravilhosx se superando, ganhando medalha e fazendo a alegria da galera.

Repressão ao povo de luta, mas vai continuar tendo povo que luta.

Vai ter [ainda] Temer, mas vai ter gente linda vaiando Temer.

Críticas são inevitáveis e necessárias porque, afinal, muita coisa errada rolou pra este evento acontecer. As pessoas expulsas de suas casas que o digam.

Mas… urubuzar a galera que ralou pra chegar até aqui, aí não dá, Cornelius! Porque tudo que nossos Vanderleis não precisam neste momento é de [mais] boicote.

Então, na boa, torce aí pra tudo dar certo, o Brasil bater recordes, nada de ruim acontecer [mais] nem durante nem depois da paradinha.