O futuro [pode ser] brilhante

Redes sociais [digitais] não trazem felicidade em três views, likes, comments ou shares. Evidente. Acho curiosa esta obsessão crítica sobre as redes como se elas tivessem sido criadas para trazer felicidade.

A imprensa nasceu para trazer felicidade? A fotografia? O cinema? O rádio? A TV?

Tudo bem que a origem belicosa das redes seja um fantasma, mas 60 anos depois de sua criação, muita coisa boa aconteceu, entre as quais destaco o acesso mais democrático à informação e a libertação – ainda que parcial – das amarras da indústria midiática e cultural.

[Alguns dirão ingenuidade, mas tudo bem também].

Nosedive, o 1º episódio da 3ª temporada de Black Mirror, mostra um futuro em que as relações interpessoais são – em todos os âmbitos, até mesmo dentro da família – mensuradas pelo smartphone a cada interação social. Ranqueadas numa escala de 1 a 5, as pessoas se diferenciam entre loosersoutsiders e winnersestabelecidos.

Para serem bem avaliadas e alçarem status, recalcam desejos, forjam alteridade, acentuam desigualdades, espalham preconceito, omitem-se diante de uma situação de injustiça etc. Fazem tudo mimeticamente. Práticas sociais infelizmente comuns, algumas típicas da tão desprezível meritocracia.

A tecnologia conduz a polifonia narrativa de Black Mirror. Correto? Correto. No entanto, os roteiros-hipérboles da série são geniais porque, como um espelho, expõem nossas fraturas socioculturais e comportamentais, independentemente da tecnologia. E isso sim é assustador.

Obviamente, precisamos questionar as lógicas de operação das redes digitais, suas consequências e problemas. No entanto, acredito que a perspectiva tecnofóbica em nada nos ajuda a entender, aprimorar ou até mesmo subverter a tecnologia. Precisamos nos desarmar para enxergar e explorar suas potencialidades, caso contrário nos aprisionaremos em fobias improdutivas e conservadoras.

Quando me deparo com críticas apocalípticas à tecnologia, apoiadas na narrativa de Black Mirror, penso duas coisas:

  1. Precisamos de mais espelhos.
  2. O futuro [pode ser] brilhante.

Nosedive vale cada minutinho. Curte aí.

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Movies on demand no aconchego do lar

Até ontem o Google Play funcionou para mim como uma loja de apps. Ponto. Nunca consumi outros produtos por lá. Cliente da Netflix há cerca de três anos, acabei me acostumando com este ambiente. No entanto sabemos que, afora suas próprias produções e séries, o Netflix é bastante restrito quando o assunto são os lançamentos.

Desde julho estava com Mãe só há uma na cabeça. O buzz na rede e os lambes nas ruas do centro de São Paulo me despertaram esse desejo. Além disso, amo o trabalho da excepcional roteirista e diretora Anna Muylaert. Queria muito ter visto no cinema, não deu.

Por curiosidade, busquei o nome do filme do Google Play e bingo! Feliz, feliz, cumpri dois passos de cliques e voilá! Com R$ 6,90 debitados no crédito, passei bem meu sábado me deliciando com esta obra prima.

Passada a euforia da experiência, me peguei pensando: “nem todo mundo tem acesso aos dispositivos, internet, banda larga, cartão de crédito…”. Verdade. Ainda assim, precisamos assumir que este serviço é uma alternativa contra a enfadonha programação das TVs abertas, assim como uma solução mais barata do que o ingresso no cinema.

Alguém dirá que a experiência sensorial no cinema é diferente. Concordo. Mas, às vezes, movies on demand no aconchego do lar também pode ser bem legal.

Mais sobre esta lindeza de filme: https://www.facebook.com/maesohauma/
#maesohauma