4ª Revolução Industrial: que futuro teremos?

Nossa relação com a tecnologia é histórica.

Pensadores como o filósofo italiano Umberto Galimberti1 defendem que, sem a tecnologia, não teríamos sobrevivido à magnitude da natureza, pois teria sido graças à tecnologia que pudemos caçar, nos abrigar, vestir, deslocar pelo território.

Na linha do tempo desta relação, o intervalo entre as inovações disruptivas tem sido cada vez mais curto. As transformações que vivemos são tão velozes que temos a sensação de que não conseguimos acompanha-la.

Tal angústia resulta de um fato: o avanço tecnológico é incontornável.

A questão é que chegamos a um patamar em que desenvolvemos tecnologias com características inéditas como a autonomia, a capacidade de processamento de dados inalcançável para os humanos e a compatibilidade biológica.

Inteligência Artificial, Machine Learning, Deep Learning, Impressoras 3D de materiais biosintéticos não são mais ficção, mas realidades.

As consequências desta Transformação Digital são imprevisíveis, no entanto, para compreendermos minimamente o que já está ocorrendo, precisamos observar atentamente os debates, experimentos, acordos e transações internacionais, seja no âmbito político, econômico ou científico.

Por este motivo, escrevo este artigo para indicar a leitura de A quarta revolução industrial de Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial que, coincidentemente, ocorre agora em Davos (Suíça).

No livro, Schwab apresenta reflexões e análises próprias e de integrantes do Fórum sobre as inovações tecnológicas surgidas com a digitalização, assim como seus impactos na sociedade.

Entre os impactos negativos, aqueles que causam mais preocupação são: a exclusão digital, a extinção de profissões, o desemprego (que certamente afetará mais as mulheres), as diásporas, os conflitos sociais etc.

Entre os positivos estão: a inclusão digital, a democratização da informação, a criação de novos modelos de negócio e de soluções colaborativas para problemas históricos no campo da alimentação, moradia, saúde, mobilidade, meio ambiente etc.

Entre os desafios estão: a criação de novas habilidades profissionais e de novos modelos de gestão empresarial, a garantia da equidade de gênero etc.

O livro não traz respostas sobre “que futuro teremos”, mas sua leitura é fundamental, pois nos faz refletir sobre “que futuro queremos”.

Acredito que será respondendo a esta pergunta que conseguiremos pensar e desenvolver tecnologias mais responsáveis socialmente.

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1) Galimberti, Umberto. Psiche e téchne: o homem na idade da técnica. Tradução José Maria de Almeida. – São Paulo: Paulus, 2006.

 

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