Vida digital e a aceleração do tempo

As tecnologias digitais alteraram completamente nossa noção sobre o tempo.

Às vezes temos a sensação de que acompanhar o tempo do nosso tempo é impossível.

Mas apesar das queixas generalizadas sobre este descompasso entre vida e tecnologia, aceitamos e exploramos o tempo digital, rejeitando aquilo que não se adapta ao novo tempo.

As experiências no mobile – metade do tráfego na web – ilustram esta transformação temporal.

Ao procurarmos qualquer coisa na Internet não esperamos mais as páginas carregarem, por exemplo.

Um comportamento social que desafia as marcas.

Segundo o Google, os sites de 75% das maiores marcas brasileiras demoram 20 segundos para carregar no smartphone provocando uma experiência negativa para o usuário. E há 62% de chances deste usuário não comprar mais da tal marca com site lento.

O tempo limite, recomendado pelo Google, para o carregamento de uma página é de 5 segundos e o tempo ideal de 3.

TRÊS SEGUNDOS! É quase o tempo que você demorou para ler a frase 3 segundos! 😁

Como a tecnologia, a nossa cabeça e nosso comportamento mudaram em três décadas!

Nos anos 1990, ficávamos minutos parados na frente do PC trambolho esperando a conexão discada, o site carregar, o download e o upload… a uma velocidade de 56,6 kbps…

Uma realidade tão tão distante.

Hoje, o som do dial-up parece até um contato extraterrestre. 👇

Ao preparar uma aula, comecei a pesquisar referências sobre aqueles outros tempos e achei o Museum of Endangered Sounds, um museu digital com sons de objetos, dispositivos e softwares antigos.

Se você curte a história da tecnologia e da comunicação, vai viajar neste site como eu.

😉

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8 de Março e suas “homenagens”

O 8 de Março é um dia especial. Dia em que milhares de mulheres no mundo vão às ruas para reivindicar nossos direitos e promover atividades para ratificar nossa sororidade e comemorar nossas conquistas.

Estas conquistas são fruto da luta histórica e do engajamento político das trabalhadoras, urbanas e rurais, das acadêmicas e cientistas, das feministas, das donas de casa. Todas!

São fruto da resistência combativa das mulheres negras, indígenas, lésbicas, bissexuais, transexuais que, apesar do machismo, racismo e homofobia estrutural, não se calam, enfrentam e seguem abrindo portas para si e para as outras.

Mas 8 de Março também é dia de aturarmos as acintosas e patéticas “homenagens” de algumas empresas e instituições públicas que até agora – no caso 2018 – não entenderam nada.

Chovem memes, cartazes e vídeos institucionais enaltecendo nossas “qualidades”, “beleza”, “brilho”, “resiliência nata”, “intuição”, “sensibilidade”, “alegria”, nossa capacidade de girar 500 pratos ao mesmo tempo com “sorriso no rosto”. 🙄

Recebi algumas dessas “deferências” no meu WhatsApp, mas duas em particular me chamaram a atenção: a da Secretaria da Família e Desenvolvimento Social/ Coordenação da Política da Mulher de Curitiba e o “singelo” aviso na entrada do Pão de Açúcar da Vila Suzana, em São Paulo. Ei-las abaixo:

Cílios no semáforo, senhores?
Deus nos criou meladas com mel e pitadinha de sal?

Gente… não temos mais paciência para este tipo de coisa, sabe?

Por que não se contentam em fazer o básico? Leia-se: pagar um salário decente; promover equidade salarial; respeitar a carga horária acordada e os direitos trabalhistas; garantir licença maternidade e creche; coibir e penalizar qualquer tipo de assédio e outras formas de violência; dar voz de decisão; reconhecer e valorizar nossa opinião; respeitar nosso modo de ser e de vestir; nossa tanta coisa para fazer…

Para além disso ☝, se a instituição entende ser importante fazer uma homenagem (de verdade) no dia 8 de março, dialogue com as mulheres e certifique-se de que sua “ideia brilhante” valoriza nossa luta histórica por direitos e não reforça estereótipos.

👉 A foto maravilhosa da capa deste post é da amiga fotógrafa Claudia Ferreira que há décadas registra os movimentos das mulheres no Brasil. Claudia e a jornalista Claudia Bonan são autoras do banco de imagens Mulheres e Movimentos.