Streaming de música: negócio digital bilionário

Pela primeira vez na história da indústria fonográfica, o streaming de música supera as vendas físicas e downloads digitais. Os dados foram divulgados nesta semana no Relatório Mundial de Música (2018) da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).

Depois de amargar quase três décadas de declínio no faturamento, o setor finalmente tira proveito do digital e comemora.

Na virada deste século, as previsões eram catastróficas. Com o surgimento das TIC, da sua popularização, do compartilhamento anárquico dos arquivos digitais e da pirataria online, os profissionais e empresários da área não viam luz no fim do túnel.

Antes do digital, o que vendia no mundo da música era ditado pelas indústrias fonográfica e cinematográfica, pelas redes de rádio e televisão. Com a Internet, o cenário mudou incontornavelmente.

Segundo Chris Anderson, entre 2001 e 2005, as vendas totais da indústria da música caíram em um quarto!

Com a chegada do IPod, em 2001, as pessoas substituíram seus walkmans pelo MP3 Player da Apple que armazenava até 10 mil músicas, algo equivalente ao estoque de muitas lojas especializadas que, aliás, foram definhando.

De lá pra cá, passamos a consumir música de outra forma, nos libertando de certa maneira dos hits impostos pela indústria, pois a cauda longa exposta pelo digital nos presenteou com uma infinidade de opções.

Foi surfando nesta nova onda tecnológica, comportamental e comercial, que a sueca Spotify se tornou a maior empresa de streaming de música do mundo.

Um negócio digital bilionário que, em apenas 10 anos (2008-2018), conquistou um valor de mercado superior a US$ 30 bilhões.

Os dados ratificam nossa total inclinação para o consumo de bens intangíveis.

E os serviços de streaming de música ainda têm muito o que explorar comercialmente, pois segundo a IFPI, atualmente, existem “somente” 176 milhões de assinantes.

Dica de leitura sobre o universo dos negócios digitais: Cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Chris Anderson. Editora Elsevier (2006)

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Autor: Raquel Melo

Jornalista, Mestra em Ciências da Comunicação (ECA/USP), Especialista em Gestão da Comunicação Digital (Senac), Professora (Senac, IPOG, Unoesc) e Pesquisadora (Atopos). Áreas de interesse: Tecnologia, Inovação, Transformação Digital, Educação Corporativa.