Cultura Organizacional e o valor da Diversidade

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Recentemente, muitas empresas têm se manifestado em prol da diversidade e da inclusão e criado iniciativas de combate a inúmeros preconceitos.

Seus argumentos variam entre o necessário apoio aos direitos humanos e a importância da diversidade para a inovação, a economia e também para os lucros.

Esta mudança no cenário corporativo resulta da atuação histórica dos movimentos sociais, especialmente dos LGBTs, feministas, negrxs e pessoas com deficiências que há décadas reivindicam seus direitos individuais e coletivos.

Há anos estes grupos, institucionalizados ou não, vêm mostrando ao mundo o que realmente importa: que todos tenhamos uma vida digna e saudável, livre de preconceitos e violências.

Esta transformação sociocultural bebe também das transformações tecnológicas e da comunicação.

Com o digital, as pessoas estão mais informadas e conscientes de seus direitos, assim como passaram a agir em rede, a ter voz ativa e a cobrar que as empresas sejam mais transparentes e socialmente responsáveis.

Esta nova conjuntura obrigou as empresas a mudarem sua cultural organizacional.

Mas a construção de uma cultura organizacional genuinamente diversa e inclusiva não pode ficar só no discurso publicitário, nas ações de marketing. Não basta fazer memes e vídeos bacanas…

Isto seria uma apropriação indevida das narrativas dos ativistas e dos estudos sociais para “ficar bem na fita”.

É preciso assumir e disseminar os preceitos da diversidade para todo seu ecossistema interno e externo, incorporá-los no relacionamento com todos os stakeholders, assim como nos valores, objetivos e práticas cotidianas da empresa.

Portanto, uma empresa realmente diversa e inclusiva deveria, entre outras iniciativas:

  • comprometer-se com as pautas relacionadas em todas as suas ações, engajando desde sua cúpula executiva até o funcionário terceirizado;
  • educar sua comunidade interna sobre as especificidades e direitos das mulheres, negrxs, LGBTs e pessoas com deficiência;
  • garantir a empregabilidade e o desenvolvimento educacional e profissional destes públicos;
  • criar áreas específicas para a gestão da diversidade;
  • garantir que toda sua comunicação interna e externa esteja alinhada com tais preceitos;
  • apoiar e promover ações relacionadas à diversidade e inclusão na sociedade.

Na próxima sexta-feira (1º) será realizada a 1ª Marcha do Orgulho Trans de São Paulo – da qual, aliás, serei voluntária – e no domingo (3) teremos nossa 22ª Parada LGBT.

Considerando o valor (simbólico e econômico) da diversidade como um pilar da cultura organizacional atual, espera-se que as empresas que realmente apoiam a causa LGBT atuem para além do nosso calendário, nos respeitando e apoiando o ano inteiro e para todo o sempre.

Can I get an amen up in here?

 

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Autor: Raquel Melo

Jornalista, Mestra em Ciências da Comunicação (ECA/USP), Especialista em Gestão da Comunicação Digital (Senac), Professora (Senac, IPOG, Unoesc) e Pesquisadora (Atopos). Áreas de interesse: Tecnologia, Inovação, Transformação Digital, Educação Corporativa.