SEO, embalagens, micro-moments e consumo

Ainda temos muito o que aprender sobre SEO

Na semana passada, vivi uma experiência que inspirou este post. A caminho de um compromisso, passei por uma farmácia e lembrei que precisava de um protetor solar facial. Entrei na loja e fui direto para o setor dermatológico. Bati o olho nas marcas e tive muitas dúvidas.

Como não havia feito uma pesquisa prévia, dediquei um tempo considerável lendo as embalagens. Não sou profunda conhecedora do design de embalagens, mas fato é que muitas não apresentavam, de forma direta e clara, o produto nem público ao qual ele se destinava.

Para a Associação Brasileira de Embalagens (ABRE), a função das embalagens não se restringe à venda dos produtos, mas serve também para informar, educar e deve fisgar o consumidor de forma criativa e inteligente. Segundo a entidade, uma embalagem tem apenas três segundos para atrair o consumidor e, se for bem-sucedida, tem 85% de chance de compra.

Pois bem, poucas marcas expostas naquela farmácia continham as informações específicas que eu procurava. Impaciente, passei a mão no smartphone e fui para o Google, achando que meu problema seria resolvido.

 

O que o SEO tem a ver com embalagens?

Ao pesquisar pelas palavras-chave necessárias, encontrei poucas referências interessantes na primeira página, o que me forçou a navegar pelo ranking.

 

[Pausa]

Nove em cada dez pessoas conectadas pesquisam sobre os produtos/serviços na Internet para tomar suas decisões. Veja aqui pesquisa do Boston Consulting Group sobre o tema. Outro estudo interessante, realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), revela que 49% das pessoas que usam apps fazem comparação de preços antes de comprar em uma loja online.

Desde 2015, o Google vem alertando os profissionais de conteúdo e os que lidam diretamente com os produtos (no design, marketing, trade etc.) sobre o fenômeno do Micro-moments, sua influência na vida do consumidor e como incorporá-los ao seu trabalho.

 

[Voltando ao SEO]

Diante da profusão de informação na rede, um dos mantras repetidos pelos especialistas em digital para alavancar as vendas é: incorpore as técnicas de SEO (Search Engine Optimization) nos conteúdos produzidos sobre os produtos/serviços nas plataformas de e-commerce e outros canais (sites, revistas e blogs especializados, além de portais de notícia). É meio caminho andado para se conseguir uma boa posição nos motores de busca.

Assim, é preciso taguear todo conteúdo (texto e imagens), criar bons títulos, subtítulos, descrições e outros macetes como pesquisar as palavras-chave e suas associações para que este conteúdo seja relevante e responda as perguntas das pessoas. Trabalho minucioso, disciplinar e estratégico que gera resultados em médio/longo prazo.

 

Mas você comprou?

Sim. No fim das contas, acabei comprando o único produto cuja embalagem continha a maioria das informações de que precisava: fator de proteção, indicação para tipo de pele e uso (corpo ou face). Os resultados iniciais no Google não me ajudaram naquele micro-moment.

Portanto, é preciso pensar em embalagens e conteúdos como produtos expostos numa gôndola, cujas informações e design determinam se serão ignorados, atraentes, lidos e/ou comprados. Tudo isso acontece em frações de segundos e cliques. E o trabalho de parte dos profissionais de comunicação é pensar em como expor eficientemente as coisas e facilitar a vida das pessoas, caso contrário, todo esforço pode ser em vão.

Em tempos de crise econômica, desperdiçar tempo e trabalho é muito ruim, né não?

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Vc pode substituir seu preconceito por inteligência, por exemplo.

Foto divulgação: Da esquerda para direita: Cléo Pires, Renato Leite atleta do vôlei sentado, Paulo Vilhena e Bruna Alexandre atleta do tênis de mesa. 

Polêmica e controversa. Foram esses os adjetivos usados pela média da mídia para se referir a campanha da África para a Vogue Brasil em prol das Paraolimpíadas. Como a campanha, tais palavrinhas estão para lá de equivocadas porque o termo correto, caros colegas jornalistas, é PRECONCEITUOSA mesmo.

Em geral, quando o profissional de comunicação age sem refletir sobre sua função social, seu trabalho emana machismo, homofobia, xenofobia, racismo, capacitismo e todo tipo de preconceito.

Mas a campanha foi tão horrorosa que, aqui com meus botões, penso: “como foi possível que essa ideia tenha passado por tanta gente e ninguém percebeu isso?”

Obviamente, quem trabalha numa redação ou agência está, como parte da sociedade, contaminada por preconceitos como, por exemplo, a ideia de que pessoas com corpos e mentes diferentes são anormais, incompletas, incapazes, x. No entanto, para aqueles que desejam trabalhar com comunicação, sugiro que vá além dessa mediocridade umbilical, pois é preciso inteligência e reflexão sobre a diversidade e as controvérsias da vida social. Só assim é possível comunicar com qualidade.

Outra dica é: respeite seu interlocutor, pois, diferentemente do que pregam os arrogantes, o público é inteligente e não engole mais calado as fórmulas dissimuladas, irreais, fora do contexto ainda praticadas no jornalismo, publicidade e propaganda. Com o digital, as pessoas têm jogado essa desfaçatez no ventilador das redes.

Vogue, África, Cléo Pires e a comunicação do Comitê Paraolímpico Brasileiro podem até jurar boas intenções aos quatro ventos, mas não adianta porque a campanha foi péssima. Nestas horas, convém autocrítica, um pedido de desculpa ou o silêncio mesmo, porque qualquer coisa é melhor do que o vídeo da Cléo dizendo “Nós, como embaixadores, emprestamos a nossa imagem justamente para gerar visibilidade e é isso que a gente tá fazendo. Meu Deus!”

Moça e todxs, para se dar visibilidade ao outro, é preciso ouvir o outro, dar voz ao outro, mostrar o outro e não photoshopar um outro fingindo ser o outro.

O pessoal da Channel 4, por exemplo, queria dar visibilidade para os atletas britânicos e fez essa campanha aí. Dá uma olhada.

PS: Parem com essa hashtag hipócrita disfarçada de empatia e alteridade #SomosTodosAlgumaCoisa. Ô coisa irritante. Já deu.