WhatsApp: solução ou problema?

O WhatsApp é o aplicativo mais usado pelos brasileiros, segundo a pesquisa Conecta do Ibope Inteligência.

A ampla adesão ao app é resultado de seu principal benefício: facilitar a comunicação entre as pessoas.

Mas… às vezes… essa comunicação é pra lá de torta… E a culpa, no meu entendimento, não é da tecnologia…

De todos os debates em torno do uso do WhatsApp, gostaria de destacar 4 que têm me chamado a atenção recentemente.

Faço parte de alguns grupos: amigos, família, networking, jobs.

Neles, eventualmente, ocorrem desentendimentos decorrentes de práticas sociais nocivas e improdutivas. Vamos a elas:

#pré-conceito

Gente que julga e acusa os outros permanentemente, retrucando mensagens de forma agressiva.

Gente que compartilha piadas machistas, homofóbicas, racistas e preconceituosas em geral.

Gente que insulta quem pensa diferente dela. [com este cenário político então…]

#desrespeito à privacidade

Gente que dá print em conversas super privadas e compartilha tais imagens indiscriminadamente, sem pedir autorização.

Gente que compartilha áudios que eram privados, pessoais.

#disseminação de fake news

Gente que compartilha informações e notícias sem checar sua veracidade e procedência.

#despropósito

Gente que reiteradamente compartilha conteúdos alheios aos objetivos do grupo.

😒👎

A tecnologia por si só não incentiva diretamente a discriminação, o desrespeito, a fofoca, as intenções escusas…

São as pessoas que fazem isso desde que o mundo é mundo.

Por este motivo, acredito que cabe a nós refletirmos sobre nossas práticas, nos questionarmos sobre se queremos ou não contribuir positivamente com nossas comunidades, e nos conscientizarmos de que a vida digital requer alteridade, pois o potencial da rede deve ser solução e não problema.

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Vida digital e a aceleração do tempo

As tecnologias digitais alteraram completamente nossa noção sobre o tempo.

Às vezes temos a sensação de que acompanhar o tempo do nosso tempo é impossível.

Mas apesar das queixas generalizadas sobre este descompasso entre vida e tecnologia, aceitamos e exploramos o tempo digital, rejeitando aquilo que não se adapta ao novo tempo.

As experiências no mobile – metade do tráfego na web – ilustram esta transformação temporal.

Ao procurarmos qualquer coisa na Internet não esperamos mais as páginas carregarem, por exemplo.

Um comportamento social que desafia as marcas.

Segundo o Google, os sites de 75% das maiores marcas brasileiras demoram 20 segundos para carregar no smartphone provocando uma experiência negativa para o usuário. E há 62% de chances deste usuário não comprar mais da tal marca com site lento.

O tempo limite, recomendado pelo Google, para o carregamento de uma página é de 5 segundos e o tempo ideal de 3.

TRÊS SEGUNDOS! É quase o tempo que você demorou para ler a frase 3 segundos! 😁

Como a tecnologia, a nossa cabeça e nosso comportamento mudaram em três décadas!

Nos anos 1990, ficávamos minutos parados na frente do PC trambolho esperando a conexão discada, o site carregar, o download e o upload… a uma velocidade de 56,6 kbps…

Uma realidade tão tão distante.

Hoje, o som do dial-up parece até um contato extraterrestre. 👇

Ao preparar uma aula, comecei a pesquisar referências sobre aqueles outros tempos e achei o Museum of Endangered Sounds, um museu digital com sons de objetos, dispositivos e softwares antigos.

Se você curte a história da tecnologia e da comunicação, vai viajar neste site como eu.

😉

Aniversário do iPhone: um marco da comunicação digital

A Apple comemorou nesta quinta-feira, 29 de junho, o aniversário de 10 anos do iPhone. Neste período, o desenvolvimento da tecnologia digital foi tamanho que fica difícil mensurar seu impacto.

No entanto, pode-se afirmar que a evolução dos smartphones inspirou-se no projeto disruptivo da Apple, que ainda dita as inovações no mundo digital, basta olharmos para os produtos e serviços que temos hoje e que foram espelhados no iOS, na App Store, na Siri.

Após o histórico anúncio de seu lançamento, feito por Steve Jobs, nasceu um desejo em escala mundial: todos queriam aquele pequeno dispositivo que se conectava à Internet, permitia a interação pelo touchscreen e ainda produzia imagens excepcionais.

Resultado? Desde 2007, cerca de 1,2 bilhão de iPhones foram vendidos no mundo, segundo o CEO da Apple, Tim Cook.

Desde então, a ubiquidade gerou a hiperconectividade que vem revolucionando a interação social, o acesso e produção de informação, dados e imagens, o consumo, os negócios.

Hoje metade da população mundial tem acesso à Internet (em 2007, eram apenas 20%), 66% possuem um smartphone (o desktop ficou para trás…), no Brasil há mais celulares do que gente, e 37% das pessoas são ativas nas redes sociais (esta era a população mundial em 1955… 😲).

Tudo em apenas 10 anos! O que são 3.650 dias na história da comunicação?

Juntas, estas e outras transformações alteraram completamente todo o mercado da comunicação, forçando a permanente atualização da formação e das práticas cotidianas dos profissionais do Marketing, Jornalismo, Relações Públicas, Design etc.

Por isso, colegas, para nos mantermos vivos… you better work!

As inovações do mundo digital devem orientar cada passo que todos nós damos na profissão, pois ninguém quer ouvir um “sashay away”. Não acompanhar as novidades e implicações do digital pode ser um erro fatal.

 

Spectacles: o show imagético das coisas inteligentes

As imagens orientam nossa experiência digital. Dentre os formatos possíveis de conteúdo, são elas as que mais estimulam a interação e engajamento social nas redes. Com ou sem conhecimento específico, produzimos e compartilhamos fotos e vídeos de tudo que fazemos cotidianamente. Os [smart]phones, apps editores de imagem e paus de selfie são nossos grandes aliados nesta empreitada. O apego com as imagens é tamanho que alguns chegam a arriscar a própria vida pela melhor selfie.

Entre as redes que vivem prioritariamente das imagens, o Snap saiu na frente com uma inovação que pode alterar substancialmente o mercado tecnológico-comunicativo e o modo como as pessoas registram e compartilham as imagens em seu dia-a-dia.

Os Spectacles – óculos inteligentes, sensíveis ao toque e conectados à internet –gravarão vídeos de até 30 segundos para serem compartilhados em tempo real no app. Ainda que externo ao corpo, o dispositivo lembra o episódio The Entire History of You da primeira temporada da Black Mirror, em que as pessoas híbridas têm olhos-câmeras, cujas imagens-memórias gravadas podem ser recuperadas ou deletadas.

Só com os smartphones, estimava-se que, em 2017, tiraríamos cerca de 1.7 trilhão de fotos… Considerando que o dispositivo vai herdar toda expectativa que o Google Glass frustrou e que a ficção científica plantou… o número de imagens produzidas e compartilhadas na rede irá aumentar… e muito.

Em A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica, Walter Benjamin defendeu que a fotografia e o cinema alterariam nossa percepção, provocando um deslocamento espaço-temporal inédito, na medida em que nos teriam apresentando novas culturas e formas de viver e estar no mundo, nos libertando – ainda que parcialmente – dos limites territoriais, domésticos e laborais.

O que o autor alemão diria sobre este futuro em que as imagens serão produzidas por objetos inteligentes e tão elementares como os óculos?

Site oficial: https://spectacles.com/

Canal no You Tube: https://www.youtube.com/channel/UC9YFcJXrGv2QaWbXLq6VN3g